mai 182010
 

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Deus ter mandado Seu filho à Terra foi nepotismo? (Moacyr Castro)

De prima assim, o Monge diria que foi um ato de nepotismo inquestionável. Porém, Deus teve lá as Suas razões. Afinal, o trabalho seria árduo, incompreendido por muitos, altamente visado. Um cargo de confiança divino, por assim dizer. Deus precisava de alguém incorruptível, completamente leal a Ele. Por que não Seu filho? Afinal, Ele já havia provado por A mais B o potencial da fé do ser humano com Abraão, a quem foi ordenado que sacrificasse o próprio filho em nome de Deus. Jesus, uma vez que assumisse a forma humana, certamente alcançaria um patamar de devoção nunca antes visto. Tanto que a epopeia de filho de Deus na Terra foi um verdadeiro divisor de águas (que nada tem a ver com Moisés) na história do judaísmo, dando origem a uma religião novinha em folha (e que posteriormente iria dividir-se em uma série de outras, mas isso não vem ao caso).
A verdade é que, apesar da indiscutível lealdade de Jesus para com seu Pai, ele não era lá um filho muito exemplar. Cabeludo, barbudo, andando de sandália pra cima e pra baixo, Cristo não queria saber de trabalho duro nem de dor de cabeça. Levava uma vida sossegada, regada a vinho, festas e pregações de amor, teóricas e práticas. Deus não sabia muito o que fazer com ele, mas precisava mandar alguém à Terra para dar alguns recados. E convenhamos, depois de todo o rolo com Lúcifer, Ele sabia que não podia mais contar com os anjos para fazer um trabalho tão importante. Até havia aquele chamado Gabriel, este era um rapaz leal, mas muito puxa-saco. Deus achou melhor não envolve-lo diretamente na história, optando por utilizar o anjo apenas como “garoto de entregas”, preparando o terreno para a chegada do filho do patrão.
Bom, pelo que conhecemos desta história hoje, Jesus não mudou muito seu estilo de vida quando chegou à Terra. Aliás, deve ter sido um moleque tão terrível durante a infância e a adolescência que resolveram apagar este período das crônicas da época. Mas de duas coisas nós sabemos: a primeira, que o objetivo da missão divina foi conquistado. Jesus pregou a palavra de seu Pai o máximo que pode, trazendo uma nova compreensão da existência para o reles ser humano. Tudo bem que depois nós conseguimos deturpar completamente o sentido da coisa, mas novamente isso não vem ao caso. Segundo, que a história não terminou bem para Jesus. Crucificação não é algo legal de se fazer com alguém que dizia que o amor ao próximo é a salvação. Mas Cristo deu a entender que já sabia que isso ia acontecer, consequentemente concluímos que o próprio Deus também sabia. No entanto, é provável que Ele só tenha passado essa informação ao filho quando este já estava por aqui, pois aí já não tinha mais volta. Ordens Paternas, fazer o que?

  One Response to “Nepotismo divino”

  1. Caríssimo Monge. Este foi o Melhor.
    Sem mais.
    Maíra.

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