abr 022010
 

No último CONAE (Conferência Nacional de Educação),que aconteceu de 28 de março a 01 de abril deste ano em Brasília,  ficou definido em um dos encontros que livros didáticos e escolas terão de incluir temática LGBT (lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais).

Se olharmos na página 119 do Documento Base – Volume I do CONAE, de fato, a notícia acima é verdadeira. Lá no item 266 é dito que:

“As ações afirmativas são políticas e práticas públicas e privadas que visam à correção de desigualdades e injustiças históricas face a determinados grupos sociais (mulheres, homossexuais, negros/as, indígenas, pessoas com deficiência). São políticas emergenciais, transitórias e passíveis de avaliação sistemática. Ao serem implementadas poderão ser extintas no futuro, desde que comprovada a superação da desigualdade original.

O tal parágrafo – na minha humilde e limitada visão de mundo – é de um mau gosto sem precedentes (fique à vontade para contestar no campo de comentários). Primeiro, porque só um cidadão desprovido de qualquer resquício de inteligência pode acreditar que a desigualdade e o preconceito podem ser superados se forem “enfiados” goela abaixo dos alunos. Tal decisão só serve para aumentar a homofobia.  ”Mas por quê?” você provavelmente me questiona agora. Eis o item 271 do mesmo documento, e que explica melhor meu ponto:

“Mas não é qualquer concepção de direitos humanos. Trata-se do entendimento dos direitos humanos que problematize a compreensão abstrata de humanidade ainda reinante em muitos discursos, políticas e práticas. Ao introduzir essa reflexão, os movimentos sociais explicitam para o Estado, a sociedade, as escolas de educação básica e a universidade o jogo de forças e de relações de poder nos quais se apoiam, historicamente, algumas discussões hegemônicas sobre os direitos humanos. Denunciam que, por detrás de muitos desses discursos, prevalece a concepção de humanidade que nega a diversidade e reforça um determinado padrão de humano: branco, masculino, de classe média, heterossexual e ocidental.

Simplesmente querem inverter toda a situação. Querem criminalizar (e generalizar) qualquer discurso que tenha resquícios de “branco, masculino, de classe média, heterossexual e ocidental”. Quem for desse subgrupo, impreterivelmente, será um “hegemônico supressor dos direitos humanos”. Não importa se você tem um melhor amigo negro desde a infância, uma madrinha de batismo negra, nada! Essa imposição só fará com que todos aprendam o seguinte: os pertencentes à corja branca heterossexual de classe média nada mais são que uma ameaça a todos.

Agora junte a salada toda que foi servida e temos um prato transbordante para uma homofobia cada vez mais violenta.

A partir do momento em que o ser humano se sente acuado, criminalizado e injustiçado, surgem as piores aberrações que a humanidade já viu (nem vou longe, só vou ressuscitar o sentimento de medo pós 11 de setembro que assinou uma carta branca para George W. Bush fazer o que bem entendesse com o mundo). É isso o que vai acontecer: quando as “maiorias” se sentirem ameaçadas por tais medidas, haverá um massacre de minorias que ofuscará as piores barbáries do século XX. Não é preciso ser nenhum profeta para enxergar isso. É o óbvio.

Mudar

Se quisessem resolver o problema, e não agravá-lo, há modos eficientes já mostrados há tempos por mentes brilhantes que já deram o fio de meada do que está errado. Um deles é o filósofo francês Jean-François Mattéi, que em seu livro A barbárie interior, mostra como o domínio da razão no século XX criou uma “barbárie” nunca antes vista na história da humanidade. O outro é José Ortega y Gasset, um ávido crítico das práticas educacionais do ocidente que, embasadas em um tecnicismo absoluto (redundância necessária), criam um exército de “sábios ignorantes” ou “bárbaros da especialização”.

Esses “sábios ignorantes”, ou “bárbaros da especialização” para entender melhor, são basicamente aqueles acadêmicos doutores em um assunto extremamente específico. Apesar de terem uma visão de mundo tão limitada quanto suas ciências experimentais, esses seres acreditam estar aptos a ensinar qualquer coisa a qualquer ser humano. É aí que caímos nesses congressos e conferências que acabam por cometer verdadeiros crimes contra a humanidade, principalmente contra as minorias, das quais eles acreditam serem verdadeiros defensores.

Se quisessem (ou soubessem?) mudar mesmo, investiriam em uma formação verdadeiramente humanística, mais valorosa que a ciência experimental dos dias de hoje. Essa última, por sinal, é dada como verdade questionável apenas por outro experimento científico prático mais atualizado.

Um sistema educacional tecnicista, que tenta impor as minorias nas mentes das maiorias já moldadas pelo modelo tecnicista, tem um destino bem mais provável que os outros: “Darwinismo Social“.

  6 Responses to “Massacre anunciado”

  1. Caro Leonildo, me choca ver que este texto foi escrito por você. Ficou claro que você não entendeu o sentido. Por que seria “enfiar” isso nas crianças? Querem inserir essas pessoas no contexto educacional dos livros didáticos, com certeza, se você fosse um negro, homossexual ou algum grupo da sociedade marginalizada e discriminado por séculos vc não veria dessa forma. É muito triste não se reconhecer em nenhum lugar, todos precisam de representaçao, é muito facil criticar sem saber o que realmente é ser discriminado na pele.

  2. Então Carol, o que eu quis dizer é que se tivermos um sistema educacional ignorante e tecnicista como o atual, qualquer tentativa de equalização da sociedade vai falhar e só piorar a situação!
    Tentar contextualizar qualquer minoria em um sistema educacional como o brasileiro, é o mesmo que combater a gripe distribuindo lenços pra população.
    Primeiro o Brasil (e o ocidente em geral) teria de rever esse darwinismo social arraigado nas mentes das pessoas, depois sim, combater as desigualdades.

  3. Hmmm, pensando desta forma sim, é que senti uma agressividade e um tom de discriminação, mas esqueci que um pouco de palavra agressiva é sempre necessário (sem ofensas!) e obrigada pela explicação!!!
    Boas noites!

  4. Léo, li seu artigo. Vejo duas situações: uma sobre a inclusão de um assunto que já vivemos em nosso dia-a-dia. Outro sobre classe minoritária ou quem sabe se sentem assim.

    Veja bem… Acho que com o crescimento dos movimentos GLBTT, Negros e afins, realmente amenizou um pouco os preconceitos. Só que esses grupos querem impor pra sociedade suas opções ou cor e etnia. Tipo: sou gay, negro e afins, tem que me respeitar. Pois sou uma pessoa como qualquer uma outra, pago meus impostos em fim… Como se isso fosse resolver! Acho que o respeito é uma coisa conquistada no nosso dia-a-dia. A mídia, através de revistas, jornais, rádio e TV estão dando exemplos de grandes personalidades que estão inclusas nestes movimentos que estão em rede nacional. Exemplo que ser gay ou negro não é coisa de outro mundo. Os BBBs 10. “Dicesar” e “Serginho”.

    Eu sou negro, e não me sinto excluído da sociedade. Se alguém que vive ao meu lado é racista, não chegou a meu conhecimento. Sou nortista, e, vejo alguns paulistas, dizer que no Pará só tem índio, nem por isso me sinto discriminado.

    Vejo no seu texto, uma informação muito boa. Mais que coloca suas opiniões com ar crítico ou da forma que enxerga a vida. Aliás, somos jornalistas, formadores de opiniões. Sou contra colocar em livros didáticos esses tipos de assunto. Deveria sim, abordar através de palestras públicas em escolas. Acho que os alunos da rede pública já não tem ensino de qualidade, ainda aumentam com esses assuntos. Onde vamos parar com nossa educação que é tão deficiente?

  5. Sou bem pessimista em relação a esse tipo de coisa, Leo. Parte da minha família é bastante preconceituosa e racista. Pra você ter ideia usam expressões do tipo: olha a cor dele,tenho nojo, Deus me livre, prefiro um filho morto, etc. Percebo claramente que o preconceito e o racismo tem origem na convivência familiar e vai sendo passado de pai pra filho. Da mesma maneira que o respeito, educação. Não acredito que o conteudo escolar possa modificar isso.Mas acredito que a inclusão, por exemplo, de personagens que sofrem preconceito nas ilustrações, textos e conteudo escolar de maneira natural talvez possa minimizar o sentimento de exclusão que essas pessoas possam sentir.

  6. Caro Leo, o preconceito não deveria existir. Todos nós nascemos e morremos da mesma forma. Concordo com o Bruno Nascimento, respeito nós conquistamos diariamente. O assunto é bastante complexo e necessita de empenho de todos para entendê-lo. Nossa tarefa é simples e já muito foi ensinada a todos nós: Ame teu próximo como a ti mesmo. Só isso basta!
    Parabéns por fomentar nossas idéias!

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