abr 062010
 

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Monge, que pátria que te pariu? (Marcelo Dias, da redação)

Nascido nesta pátria que se chama Brasil, filho de pai e mãe nativos desta terra, o Monge pode dizer que foi duplamente abençoado. Primeiro, pelas belezas naturais e culturais encontradas por todo o país. Segundo, por ter nascido e sido criado em uma época tão interessante quanto a que vivemos hoje.

Mas o cenário não é tão belo assim. Embora dividindo o mesmo espaço-tempo comigo, muitos e muitos brasileiros não se sentem da mesma forma. Afinal, todos somos vítimas – diretas ou indiretas – de um sistema social injusto, de políticas excludentes, de uma economia predatória e da escalada da violência. E a corda sempre arrebenta do lado mais fraco.

Minha pátria é de contrastes. Paisagens exuberantes lado a lado com condições humanas precárias, seja no campo ou na cidade. Território dotado de uma riqueza sem tamanho, tanto na abundância dos recursos naturais – fauna, flora, minérios e muito mais – como na sabedoria e encanto do seu povo. Pena que toda esta riqueza acaba, de um jeito ou de outro, concentrada nas mãos de poucos que não a querem dividir.

Um povo que apanha muito, mas é dotado de uma alegria sem igual. Acolhedor e hospitaleiro, sem deixar de lado sua malandragem. Pois, como dizia Jorge Ben, “se o malandro soubesse como é bom ser honesto, seria honesto só por malandragem…” Talvez seja esta a essência do povo brasileiro. Malandro de coração, e sabe que o melhor caminho é aquele que se trilha acompanhado.

  4 Responses to “Filhos da pátria”

  1. Modéstia parte, acredito que a “malandragem” é o câncer deste país, a metástase da escória colonial que saiu fugida da Europa.

    É por causa dessa tal “malandragem” que tem um monte de cidadão querendo se candidatar a algum cargo público pela simples possibilidade de ser remunerado sem precisar exercê-lo de fato.

    Vejo amigos que foram para o exterior falarem que a maioria dos moradores dos países ricos não tem malícia alguma ou muito pouca.

    Aqui, por causa da malandragem, é uma cobra comendo a outra, um atrasando o outro, puxando para trás o andamento do país.

    Tenho ojeriza dos termos “malandragem” e “jeitinho”. Pra mim são meros eufemismos para justificar a barbárie, mais nada.

  2. A “malandragem” a qual eu me refiro, Leo, não é o ato de passar os outros para trás e querer tirar vantagem em tudo, mas sim o dom de superar as situações adversas, na inventividade e no improviso. A barbárie não é fruto da malandragem, é exatamente o contrário. Num sistema que bate forte apenas no lombo do mais pobre, o “jeitinho” nada mais é do que a forma que o brasileiro encontra de burlar este sistema. Não dá para botar no mesmo balaio uma maracutaia política, que pesa no bolso de todos e atravanca o país, com um roubo de galinha para matar a fome, ou com a banca ilegal do camelô. Da mesma maneira, a criminalidade brutal do “poder paralelo” – tráficos, sequestros, latrocínios etc. – pertence a um outro patamar a ser combatido, mas não se pode simplesmente prender (ou eliminar, há quem goste desta ideia) todos os envolvidos e não fazer nada pela miséria que toma conta da favela.
    Somos malandros por natureza sim, talvez um tanto pela origem “genética”, como você disse, mas principalmente pela questão social. Anos e anos de desigualdade e opressão deixam qualquer um mais esperto. A minha visão da coisa é de que a imensa maioria dos brasileiros utiliza esta esperteza para driblar um sistema injusto. E sem necessariamente pisar na cabeça de quem está do seu lado. Até os traficantes mais sórdidos fazem mais pelas suas comunidades do que o governo jamais fez.

  3. “Até os traficantes mais sórdidos fazem mais pelas suas comunidades do que o governo jamais fez.”

    Olha, nem que esses traficantes fizessem mais filantropia que a Madre Tereza eles seriam dignos de serem citados por terem feito algo de bom.

    Fazer algo de bom não exime eles do fato de promoverem suas políticas de terror e esquartejamento de “dissidentes”. Não raro você ouve falar de um cidadão que teve seus “pedaços” espalhados pela comunidade ou das penas de morte impostas pelo crime organizado que ostenta suas katanas de ouro para executar seus “vereditos”.

    Retirá-los do cenário é impossível, uma vez que suas respectivas ditaduras de terror são sustentadas – ironicamente – pelo próprio sistema que os sustenta com as próprias armas que matam os moradores das comunidades. E mesmo que usem dos métodos bárbaros deles para retirá-los de lá, tem outros 1000 torcendo – ou tramando – para que ele morra para que possam tomar o posto.

    O traficante da favela é um agente do sistema na forma mais pura. Na minha modesta opinião NÃO EXISTE condenar o sistema e não condenar o traficante, visto que esse último não existiria sem a prosperidade do primeiro.

    Os pobres são tão vítimas dos traficantes quanto do sistema. Os dois ficam jogando migalhas para acalmar qualquer resquício de revolta popular.

  4. Não disse que eles não devem ser condenados. A criminalidade é sim um contexto de violência e exclusão que deve ser combatido, infelizmente à força. Mas reitero, não adianta eliminar totalmente um grupo criminoso e não fazer mais nada pela comunidade onde este grupo se localizava. Não é condenar o sistema e não ao traficante, mas é partir do pressuposto que tudo aquilo não começou do nada. Não dá, na minha modesta opinião, para encarar o problema da escalada da violência SOMENTE pela ótica da justiça punitiva. Senão algum dos outros 1000 que estão à espera irão tomar o lugar daqueles que foram “eliminados”. O que se pode fazer por estes outros 1000? “Elimina-los” também?

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