Talvez…

 Posted by at 3:54 pm  Artigos, T.I.
mar 252010
 

Talvez não seja a maneira mais prudente, mas denunciar de peito aberto os abusos de pessoas que detêm o poder, seja político, econômico ou ambos, é a essência do jornalismo. Mostrar para a sociedade crimes, condutas reprováveis ou simplesmente a realidade escondida. Ocorre que, na maioria das vezes, estas personalidades se envolvem em um manto perigoso para o profissional ou para o veículo que denuncia, o senso comum.

Como o político corrupto que, ao ser atacado, confrontado ou simplesmente questionado, joga as cartas de que dispõe. Se agiganta atrás de assessores que dependem do salário, da claque de correligionários angariados em comunidades ricas de promessas, dos advogados que se prestam a maquiar o óbvio, e por aí vai. Vencem pela intimidação oculta ou até mesmo escancarada. Não passam de biografias vazias de caráter e ética sustentadas na ignorância (ou não!) de quem deles depende.

Contam com a cobertura narcotizante da nossa imprensa. Há muito que o setor comercial é a mola propulsora da linha editorial dos veículos. Tratam os leitores como burros, ou seja, trabalhadores sem raciocínio. Ou, como definiu William Bonner sobre seu público médio, Homers Simpsons. Gratificante é observar a transformação que ocorre silenciosa. Programas de TV já exploram o arroz de festa dessa orgia pública. “É pouco perto do que eles poderiam fazer” – dizem os céticos. Mas é exemplo.

Não existe coisa mais fácil que acabar com essa hipocrisia. Use as ferramentas que a cidadania e a tecnologia oferecem. Faça requerimentos a respeito de gastos públicos em todos os setores deficientes. Questione. Garanta o anonimato das fontes e elas virão. Funcionários públicos corretos é o que não falta. E com vontade de falar. São os que se cansam de não poder lutar contra algo que julgam gigantesco. Estude com disciplina militar cada item e escreva somente o que puder provar. O resto é firula.

Não faça por reconhecimento, vaidade ou interesse próprio. Fora do espetáculo midiático a reação à publicação será de baixo nível, ensurdecedora, difamatória e até mortal. O apoio será velado, tímido e pontual. A sensação de trabalho feito nasce na escrita da próxima matéria. Não se pode ter espírito de corpo, e sim, de sociedade. Jornalista, antes de diploma, precisa de verdade.

  4 Responses to “Talvez…”

  1. “Não se pode ter espírito de corpo e sim de sociedade.”

    epic

  2. Disse tudo…!!!

    Abrasssss…..

    Muito bom….

  3. Continuem! Acreditem! Esse texto é mais uma prova que o Inconfidência Ribeirão é um dos grandes Destaques do jornalismo!

    Abraço!

  4. Cara, só tenho que aplaudir. Falou tudo. Peço inclusive permissão para reproduzir no meu blog.

    Grande abraço

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