mar 032010
 

A temporada de caça está chegando ao fim: a 82º edição de entrega da tão cobiçada estatueta folheada a ouro ocorre no próximo dia 7 de março, domingo. E a festa este ano está mais retrógrada do que nunca. Para começar, o aumento para dez candidatos a melhor filme ao invés dos já habituais cinco, algo que ocorreu pela última vez em 1943 – época em que não havia um número exato de indicados, podendo chegar a doze. Qual o intuito de aumentar o número de vagas se, não apenas menos da metade realmente merece estar ali, como ainda temos o Up – Altas Aventuras indicado duas vezes, a melhor filme e melhor animação, e isso porque nem se trata do melhor trabalho da Pixar (talvez seja uma maneira de compensar a não-indicação do maravilhoso Wall-E no ano anterior)? Será que a Academia não aprendeu nada com a 80º edição, onde tivemos obras verdadeiramente contundentes e de realizações excepcionais em sua maioria? Naquele ano (2008) ganhou o maravilhoso Onde os Fracos não Têm Vez e foram indicados: Sangue Negro, Desejo e Reparação, Conduta de Risco e Juno (o pior deles, mas ainda assim interessante). Obras muito mais autorais e menos “sob medida”, e outra: somente cinco candidatos! Onde estão Vício Frenético e Inimigos Públicos neste ano, por exemplo?

Não fosse só isso, os produtores ainda disseram que toda a parafernália do palco vai remeter diretamente a arquitetura de Los Angeles na década de 50 (alguém falou em andar para trás?). Será que os membros da Academia não conseguem enxergar o visor que mostra o índice de audiência, cada vez mais baixo? Está na hora de andar para frente, de rever conceitos. A crise pede por isso! Elem deveriam amenizar essa pompa classicista em prol de uma maior abrangência de público. Enfim, de qualquer maneira, ainda mantenho a fé no Oscar. Excelentes filmes já foram premiados, vexames foram dados, mas isso faz parte de qualquer premiação.

É sempre importante ressaltar que cada longa-metragem possui uma voz, ou seja, eles têm algo a dizer. Eu acredito veemente que a matéria-prima de um bom filme é a história; o que ele tem para nos contar. Dê uma vasculhada na sua memória e encontre os seus melhores filmes. Pode ter a certeza de que eles não ocupam esse lugar apenas pela sequência de ação, a explosão de tal coisa ou mesmo um determinado final. Os filmes que nos marcam fazem isso devido a tramas que transgridem a distância entre indivíduo e imagem, e que muitas vezes são amparadas por diversos gêneros, sejam eles ação, comédia, drama, romance e por aí vai; são filmes que possuem em seu âmago um ponto de referência com o espectador.

por Alexandre Carlomagno (alexyubari@yahoo.com.br)

http://cinemorfose.wordpress.com/

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