Ela está no fim

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mar 222010
 

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(publicada originalmente na edição 5 – junho de 2009 – primeira quinzena)

Até quando a Terra suportará o desperdício...

Vital para a existência, a água potável tornou-se a grande preocupação deste século. Cientistas políticos mundo afora estimam que ela será o motivo de guerras em um futuro próximo. Digna do status de “tesouro desejado” no último filme do agente secreto James Bond (Quantum of Solace – sem tradução para o português), essa substância essencial é cada vez mais foco de reportagens, livros, programas de sustentabilidade, entre outros.

Segundo o relatório da ONU intitulado “Água: uma Responsabilidade Compartilhada”, existem hoje no mundo cerca de 1,1 bilhão de pessoas que não recebem fornecimento adequado de água potável.  A precariedade na distribuição e saneamento é responsável por vários problemas, principalmente de saúde. O relatório destaca que “doenças relacionadas à diarréia e a malária mataram cerca de 3,1 milhões de pessoas em 2002. Noventa por cento dessas mortes foram de crianças com menos de cinco anos de idade. Aproximadamente 1,6 milhão de vidas poderiam ser salvas anualmente com o fornecimento de água potável, saneamento básico e higiene”.

Além da distribuição, as reservas são cada vez mais uma preocupação. Segundo dados da UNESCO, a reserva de água doce disponível por habitante em 2018 será quase quatro vezes menor do que era em 1950; Enquanto naquela época existiam em média 16,8 mil metros cúbicos (m³) de água por habitante, em 2018 esse número diminuirá para 4,8 mil m³.

Atualmente, a humanidade consome 7.45 trilhões de metros cúbicos de água por ano, segundo dados do estudo Waterfootprint que mapeou o uso direto e indireto da água no mundo. Segundo a FAO (repartição da ONU para Agricultura e Alimentação), setenta por cento desse montante consumido é usado nas mais variadas atividades agrícolas necessárias para a produção de alimentos. Vinte por cento são usados nas indústrias e sua miríade (mil possibilidades) de processos de produção de bens de consumo, geração de energia, etc. Por fim, 10% do consumo fica por conta do uso urbano direto (como banho, ingestão, lavagem de roupa e demais atividades cotidianas).

Nossa aldeia

O Brasil está dentre os seis países que possuem maior disponibilidade de água potável no mundo, juntamente com Rússia, Estados Unidos, Canadá, China e Indonésia. Ribeirão Preto se localiza no melhor ponto de extração e recarga do Aquífero Guarani, a maior reserva de água subterrânea do mundo; Porém, nada disso tem muito significado quando o uso é feito de forma excessiva e descontrolada.

De acordo com o engenheiro civil especialista em saneamento e gestão ambiental e diretor do DAEE (Departamento de Água e Energia Elétrica) de Ribeirão Preto, Carlos Eduardo Alencastre, “a reposição de água no aquífero é muito lenta, demora milhares de anos. Tomamos em Ribeirão Preto águas de 5000 anos. Há pontos do aqüífero em que ela tem cerca de 20 mil anos. A reposição não é instantânea”.

Além do abastecimento, Carlos Eduardo destaca que o fluxo de águas subterrâneas é muito lento. “Ele não acontece na mesma velocidade dos rios, onde uma porção de água percorre quilômetros por dia” diz.

A demora do fluxo agrava ainda mais o problema de Ribeirão Preto, pois o mau uso, seja por exaustão ou contaminação, torna-se totalmente localizado, pois à medida que esse fluxo é lento, ele tanto demora para “espalhar” o problema como para receber novas águas de reposição. Alencastre destaca que “se Sertãozinho que é aqui do lado fizer o uso consciente do aquífero, ele não será prejudicado por Ribeirão não saber usar, lá sempre estará sem problemas”.


Sua água de cada dia

Desde a hora que acorda até a hora em que vai dormir os hábitos mais simples escondem quantidades expressivas do uso de água em sua concepção. O estudo da Water Footprint (www.waterfootprint.org) mapeou esse consumo desde o plantio ou criação até a chegada ao consumidor final. Nele foi computado até o uso pelo motorista do caminhão que transporta os produtos. Através dele é possível auferir (conseguir, obter, colher) quanto é o consumo real e como se desperdiça cada vez que se joga um desses itens fora.

Você sabia que em sua xícara de café tem 140 litros de água?

Por exemplo, uma laranja esconde 50 e a maçã 70 litros (l). Já os amantes do churrasco de fim de semana, uma caneca de cerveja são 75l, mais um quilograma (kg) de bife consome nada menos que  16.000 l/kg desde o nascimento do boi até a mesa de casa. Quem não resiste à asinha de frango inclua 3.900 l/kg. Se for fazer o arroz acrescente 3.000 l/ kg. Para o cafezinho depois da comilança, 140 l. a cada 125ml. Pela manhã o leite já vai ter consumido 1.000l por litro envasado. A pamonha leva 900 l/kg do grão de milho assim como a batata. Acompanha queijo? Some 5.000 l/kg ao montante. No pão de forma saem 40l por 30 gramas de pão, no hambúrguer 2.400l. e se optar pelo ovo são 200l. por unidade. Sobremesa à base de côco? 2.500 l/kg. Usou uma folha de sulfite (A4 80g/m²) para calcular tudo? Finalize a conta com mais 10l por folha. E lembre-se que ao limpar tudo e trocar de roupa depois você gasta 11.000l/kg de tecido de algodão.

... antes da torneira secar?

Produto nobre

Cada vez mais ambientalistas destacam a importância do uso nobre da água, onde o uso primário deveria ser para beber e se alimentar.

Na realidade acontece justamente ao contrário. Dados da Associação Guardiã da Água indicam que usamos 36% do fornecimento de água na descarga do banheiro; 31% em higiene corporal; 14% na lavagem de roupa; 8% na rega de jardins lavagem de automóveis, limpeza de casa, atividades de diluição e outras; 7% na lavagem de utensílios de cozinha, e apenas 4% para beber e se alimentar.

Regar calçadas durante vários minutos não faz nascer plantas. O carro não vai brilhar mais se a torneira ficar aberta enquanto ele é ensaboado. O mesmo vale para quando tomamos banho. Os dentes não ficarão mais brancos se a torneira ficar aberta enquanto ele é escovado nem a barba sumirá com isso.

São pequenas ações cotidianas que podem evitar que, num futuro nem tão distante, Ribeirão Preto (e o mundo!) fique sem uma gota d’água potável nas torneiras. Pense nisso.




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  2 Responses to “Ela está no fim”

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