mar 052010
 

Estava a folhear o livro Retrato em Branco e Negro – Jornais, escravos e cidadãos em São Paulo no Final do século XIX de Lilia Moritz Schwarcz quando me deparo com as seguintes imagens:

Uma coisa foi extremamente chocante nessas imagens: eu não ter me impressionado. É incrível um mundo ao qual dizemos ser “democrático” ter tantas semelhanças com o mundo “autoritário”. Esses trechos de “classificados” tem uma relação estrita com o marketing atual. Eles remetem ao melhor artigo que já li até hoje, “…mas publicidade é informação?” de Eugênio Bucci (clique para vê-lo). Em certo momento do artigo ele profere a máxima mais incontestável que este que vos escreve já viu até hoje na discussão de publicidade e jornalismo: “A imprensa se realiza quando a sociedade a conduz. A propaganda, quando a sociedade lhe obedece“. Até hoje não vi nenhum publicitário contestar essa frase (e olha que já perguntei a vários, que discutiram mas não refutaram).

O que tudo isso significa? Bem, cada vez mais a “coisificação” voluntária do ser humano mostra-se como esse caminha a passos largos para uma volta à escravatura total (se é que já não chegamos lá). Desta vez, incontestável, já que foi por vontade própria. E agora, a casa grande são os shoppings, o cafezal é a sua baia onde você faz o trabalho de uma máquina (igual aos escravos do século XIX) e os chicotes, as propagandas.

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