mar 172010
 

Embalado no lançamento do remake de Alice no País das Maravilhas, do diretor Tim Burton, assisti recentemente a versão de 1951 (animação da Disney) em sala de aula.

Foi tranquilamente o filme mais “lisérgico” que já vi. Inclua nessa disputa o filme The Doors, de 1991, e o Guia do Mochileiro das Galáxias, de 2005 (esse último é fortíssimo no quesito “loucuras lisérgicas”, mas mesmo assim não chega à Alice). Só para terem ideia da disputa: no filme O Guia do Mochileiro das Galáxias, a resposta às indagações finais sobre a vida, o universo e de tudo mais é “42“. Adicione a isso um dos motes do filme: “quando o Universo acabar, você só precisará de uma toalha”. Está bom ou quer mais?

Voltando à Alice, posso descrever algumas sensações que foram manifestadas durante a exibição do filme a uma classe do 4º ano de jornalismo. Eu, por exemplo, fiquei com falta de ar em várias partes do filme, dada a carga de energia inconstante que a história passava ao telespectador em certos momentos (principalmente na semi-tortura mental que é ver o Chapeleiro Louco e suas teorias de “des-niversário”). Um outro companheiro de sala precisou bater no amigo do lado como meio de catarse para a infindável divagação lisérgica em que o filme se torna quando Alice entra no tal mundo (que mais parece uma “trip” de quem usou uma dosagem considerável de LSD).

Afora isso, a cada 10 minutos era percebida alguma referência a algum tipo de alucinógeno. Primeiro um coelho hiperativo (existia ecstasy naquela época?), depois um lagarto que fumava em um narguilé. Quando você pensa que foi o suficiente, aparece um gato claramente bêbado e, logo após, um rato que tem ataques de histeria (só acalmados quando ele cheira geleia). Sobrou até para as crenças do Santo Daime…

Não vou me estender ao Chapeleiro Louco e à Rainha de Copas que tinha transtorno bipolar em estágio avançadíssimo com uma boa dose de Transtorno Obsessivo Compulsivo (nesses o sintoma era indicial).

Alice no país da Internet

A real intenção da sessão era mostrar como em certos aspectos o filme Alice in Wonderland, de 1951, se assemelhava com a internet como a conhecemos.

Um mundo de muita ilusão onde não há direção certa. Todos os caminhos são da Rainha (neste caso, a Internet). Só um gato sabe todos os caminhos e atalhos (seria ele o Googlecat?).

Se entrastes nesse mundo para correr atrás de um coelho, logo perceberás como se desviou total de seus objetivos, tamanhas as “maravilhas” que esse mundo ilusório oferece. A desconcentração causada é tal, que quando de fato encontrares o coelho, você não dará mais a mínima. Já há milhões de outras inutilidades para preencher sua mente ociosa.

Por fim, o Chapeleiro Louco, nessa comparação inusitada, seria um paralelo da sociedade atual que vive da Internet e para a Internet: um alienado louco que festeja todos os dias sem parar. Nada mais.

  One Response to “Alice na “vibe””

  1. Muito bacana a comparação entre os mundos, Léo. É realmente o que eu pretendia salientar com aquele vídeo na minha aula – as atitudes (e não atitudes) que tomamos dentro da web e como ela nos oferece um grandioso campo de curiosidades.

    Abraços
    Profa. Carol

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