Praga involuntária

 Posted by at 4:52 pm  Crônicas, T.I.
mar 232010
 

Era uma vez um rato. Ele era cinzento e feio, o bico escuro, as penas esgarçadas. Sim, era um rato de asas, mais conhecido como pombo. Vivia em qualquer canto entre a Catedral de Ribeirão Preto e a praça XV, fazia das árvores, marquises e sacadas a sua casa. Comia o que aparecia: sementes, insetos, pipocas espalhadas no chão do calçadão. Muitos achavam que era até bonitinho, apesar de ser realmente feio, e geralmente lhe arranjavam comida. Outros o detestavam, principalmente aqueles que eram alvo de suas rajadas fétidas. Parecia até de propósito, mas não era, acontece que ele as expelia com muita frequência. Culpa de uma alimentação pouco balanceada.

Pobre pombo. Condenado a viver entre os prédios de concreto, na imundície da cidade grande. Natureza, para ele, eram as poucas árvores das duas praças, as quais ele tinha que dividir com seus colegas de espécie. Superlotação em cada galho, apavorando os transeuntes abaixo. Além de tudo, ainda tinha que suportar o apelido: rato de asas. Sujo, horroroso e transmissor de doenças. Pois a sujeira do dia-a-dia era um ambiente perfeito para diversos parasitas e microrganismos em geral, que infectavam seus amigos pombos e todos que conviviam com eles. Mais um motivo para ser odiado.

Vida curta, existência breve. Ninguém se importava particularmente com ele, tampouco com sua espécie em geral. Mal-visto e indesejado em todo lugar. Havia até mesmo um padre que soltava rojões para espantar todos os pombos, pois a praça da Catedral estava se tornando um local impraticável por causa da sujeira que os acompanhava. Não que tivesse algum outro lugar para ir, nem estava ali por vontade própria. Apenas fugia instintivamente quando ouvia o estouro, para retornar tempos depois atrás de comida e abrigo. Não tinha culpa de ser uma praga urbana.

mar 232010
 

A Cidade

Saúde diz que epidemia de dengue é a maior da história

CI – Vamos olhar para o lixo?

Gazeta Ribeirão

Inquérito apura falta de radar no Leite Lopes

CI – Sem direção.

O Estado de São Paulo

Contas externas pioram e BC aumenta previsão de déficit

CI – Marolinha.

Folha de São Paulo

Plano de expansão do metrô de SP vai atrasar

CI – “Se eu perder esse trem que sai agora às onze horas…” (Trem das Onze – Adoniran Barbosa)

Correio Braziliense

Arruda cede mandato para tentar liberdade

CI – Jogada política.

O Globo

PM ocupa Providência para criar 7ª UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) do Rio

CI – Que a Paz esteja convosco.

Jornal do Brasil

Lei Seca ataca uso de droga

Zero Hora

Estudo escancara os fracassos da Lei Seca

CI (2 em 1) – O que dizem os médicos?

Estado de Minas

Estado dá aumento de 10% a servidores e de 15% a militares

CI – Prioridades…

Valor Econômico

Ofertas de estreantes decepcionam na Bolsa

CI – Boletim com nota vermelha.

CI – Comentário Inconfidente

mar 232010
 

Quando você acredita que o mundo acabou, que nada mais tem volta, que a esperança se tornou uma lenda das histórias em quadrinhos, eis que sempre aparecem seres para nos dar aquele chacoalhão e falar: “ei, se liga aí que ainda tem coisa pra fazer!”

Emoção. É o sentimento que esse reles mortal, autor destas singelas linhas, sentiu ontem (22/03) ao ver o programa CQC da Band, na matéria sobre o aparelho de TV doado ao sistema educacional municipal de Barueri.

Emocionei-me como há muito não me emocionava. Foi uma matéria com que, em outros tempos, eu me empolgaria e daria risadas com as brincadeiras feitas por Danilo Gentili e Rafinha Bastos no quadro “Proteste Já”. Ficaria empolgado por ver uma OBRA jornalística de tamanha qualidade sendo veiculada para milhões de pessoas, mesmo porque nem a velhinha de Taubaté acredita mais naquelas contagens de audiência que apontam 50% dos televisores ligados na Rede Globo vendo comédia romântica de quinta categoria e nem 5% dos televisores ligados vendo o CQC simplesmente arrasar. É subestimar a inteligência de qualquer um, isso.

Porém, o sentimento ontem não foi (só) euforia, foi emoção. Daquelas que vem dos confins mais profundos do inconsciente, que reordena sua visão de mundo, que te arranca lágrimas dos olhos.

No meio de tanta ridicularidade no jornalismo, profissionais desiludidos com o futuro, rendidos ao departamento comercial, chegam lá sete “babacas” despretensiosos e mostram para esses mesmos profissionais “honoráveis”: “Olha aqui, ISSO é jornalismo! Dá pra fazer! Vejam e aprendam! É só vocês levantarem das suas confortáveis cadeiras e pararem de apreciar a caixa de email lotada de releases”.

Esses “babacas” são o nosso futuro. A Geração Y está aí. Ontem o CQC deu o recado final, algo como  um  ultimato darwinista de uma linha inscrito “adaptem-se ou serão eliminados”. A era dos porcos está por um fio. A foice degoladora dos lamacentos terá a palavra “ética” esculpida na lâmina. A coisa se inverteu: Nós não precisamos mais de vocês, são vocês agora que precisam de nós.

Adorei o rótulo “babaca” que foi dado a quem faz jornalismo DE VERDADE.  Sinto-me bem representado quando tais palavras saem da boca de quem saiu. É uma homenagem! Espero que o pessoal do CQC esteja lisonjeado também e se sintam cada vez mais na obrigação de serem mais “babacas” ainda.

E como diz meu “amigo-irmão”  Marcelo Dias: “Ah que saudade do futuro…”