fev 212010
 

Em entrevista concedida ao Jornal O Estado de São Paulo dia 18/02 (e publicada dia 19/02), Luis Inácio Lula da Silva fechou a entrevista da seguinte maneira:

Estadão – O sr. continua achando que a Venezuela é uma democracia?

Lula - Eu acho que a Venezuela é uma democracia.

Estadão – E o seu governo aqui é o quê?

Lula - É uma hiper-democracia. O meu governo é a essência da democracia.

Se você já leu algum artigo meu na seção de “Textos Inconfidentes”, vai ver que algumas vezes os textos terminam com uma citação do escritor e filósofo espanhol José Ortega y Gasset, que por sua vez, foi apresentado a minha pessoa pelo filósofo e cientista político Luiz Rufino dos Santos Júnior em seu colóquio com o Inconfidência Ribeirão (clique aqui para visualizá-lo na íntegra ).

Inconfidência Ribeirão – Hiperdemocracia, o que é isso?

Luiz Rufino – Hiperdemocracia é permitir voz a todos (como nos EUA). A democracia é tão benéfica que você tem que tomar cuidado para ela não se auto prejudicar. Porque quando você cai no discurso de dar voz a todo mundo, você “plasma”, vira tudo igualitário. Uma “cuia” fica igual a Beethoven. O direito de fazer uma cuia e achar que isso é arte é o mesmo que se comparar a uma sinfonia de Beethoven. Daí qualquer coisa é cultura.

Trocando em miúdos, a hiper-democracia seria uma “ditadura da maioria”, onde qualquer minoria é ignorada – quando não é esmagada. Ou você já viu por aí a “Associação dos Direitos do Homem Branco Heterossexual da Classe Média e Média Alta”? A classe dominante não precisa, ela impõe sua vontade através dos mecanismos de poder disponíveis. Do outro lado, todas as minorias precisam de uma luta constante para não serem esmagadas pela “rebelião das massas”. Se não fosse verdade, nenhuma dessas associações de luta por igualdade teriam sentido em existir.

Ou seja, aí temos a teoria do Lula, que considera hiper-democracia como algo essencial e temos a de Ortega y Gasset que não pensa exatamente assim, ou como melhor define Luiz Rufino, “uma degola de Shakespeare e Mozart”.

A conclusão fica para você que lê este artigo. Encorajo-os a responder no campo de comentários abaixo:

As minorias fazem parte da hiper-democracia citada por Lula? Elas são ouvidas como deveriam ser?




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