Carnaval na rua e para todos

 Posted by at 1:17 am  Sem categoria
fev 172010
 

Cada um tem sua visão sobre a festa. Uns a aguardam com ansiedade, outros a recriminam. Mas não importa se você caiu ou não na folia. O importante é que impreterivelmente (que não se pode deixar de fazer) todos estão sujeitos a ela. Até a Quarta-feira de Cinzas, os brasileiros vivem numa espécie de ‘banho-maria’, onde cozinham a vida e os problemas lentamente. Das coisas mais simples como o pagamento de uma conta, às decisões no Congresso Nacional, nada se resolve. Afinal de contas, o ano só começa depois que o Carnaval termina.

A tomada de fôlego antes do recomeço tira do armário as máscaras e fantasias. Melindrosas, fadas e baianas se esbaldam pelos clubes da cidade. Os rostos encobertos – não pelas máscaras habituais que insistem em esconder nossos “eus” – dão vazão a vontades proibidas. Pelas ruas um ato inusitado: a volta dos blocos invade o centro da cidade. As festividades carnavalescas, costumeiramente restritas aos clubes e comemorações particulares, ganham um pouco dos antigos carnavais. ‘Os Alegrões’, como são conhecidos, tomaram o centro, tirando a sociedade de casa. Ricos e pobres, adultos e crianças seguiram juntos o cordão, embalados pelo ritmo da canção.

No alto das sacadas, o olhar dos mais velhos acompanhava o cortejo. A senhora se transformou em passista dançante de frevo e o empresário em palhaço, com direito a nariz vermelho e suspensório.

D. Inês, que acompanhou o bloco, diz que estava eufórica desde a noite de sábado, quando viu a cidade ser tema do Carnaval de São Paulo. “Não aguentei ficar sentada no sofá. Fiquei o tempo todo na frente da TV, minha vontade era entrar nela. Hoje não foi diferente, desci quando ouvi a música na frente do meu prédio”.

É claro que nem tudo são flores e os foliões às vezes precisam dividir espaço com os objetos deixados pela cidade.

O pipoqueiro virou Carlitos. Ou será que o Vagabundo é que virou pipoqueiro? O andarilho de bigode de broxa deixou o carrinho de lado e seguiu pelo Quarteirão Paulista, vestido com seu fraque esgarçado e seu chapéu coco.

O boneco, bem longe de Olinda, é a imagem do folião que o carrega.

E também de quem segue atrás!

Mesmo com a chegada do bloco na esplanada do velho Pedro, a apoteose não foi motivo para o fim da alegria. Na batida forte do tambor, o Maracatu ecoou noite adentro.




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coded by nessus

  4 Responses to “Carnaval na rua e para todos”

  1. Essa foi a matéria mais bem escrita que li sobre o nosso bloco… poética!!

    Parabéns!

  2. Gostei Muito desta materia. Temos que incentivar este tipo de manifestaçào popular como por exemplo os antigos carnavais de rua. A alegria sendo confraternizada por todos, “a vida não é violenta como vemos na tv”.

  3. infelismente o carnaval perdeu a sua inocencia e ganhou o ardor dos gananciosos por dinheiro.Parabens will pela sua vizão,espero que outros tambem tenham enxergado isso,assim sendo,dando incentivos,não monetarios mas sim com pequenas provas de interesse na demonstração da cultura popular.

  4. Errata !
    Desculpe-me pelo erro grosseiro
    “Infelizmente”

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