fev 052010
 

Depois de ler muita coisa sobre o assunto, e quase enlouquecer, às vezes fico cá pensando com meus botões, será que os sociólogos Marx e Engels, no alto do século XIX, imaginaram que uma de suas citações acerca do capitalismo, conseguiria até hoje pontuar tão precisamente a nossa caótica sociedade?  E que mesmo depois de quase duzentos anos (para os mais precisos são 162), todos os habitantes desse mundo chamado Terra estariam embrenhados, conscientes ou inconscientes, por completo nela?

É claro que o lendário Manifesto Comunista não fazia referência apenas a critica ao capitalismo que avançava, mas também a uma transformação muito mais radical que corria paralelamente, a social.

De lá para cá muita coisa aconteceu. Persistiram as críticas ao sistema, a informação ganhou a velocidade ótica, as fronteiras espaciais e temporais caíram, o intercâmbio cultural propiciou a difusão dos povos, os conflitos santos ou não continuaram, a comunicação de massa e a individual expandiram, e enfim, o maior destaque: a liberdade de escolha seja ela em “ter” ou “ser” se instaurou.

Aquela sociedade que na modernidade estava aprendendo a dar seus primeiros passos após as transformações da Revolução Industrial começou, e não parou mais, a procurar por uma nova ordem para todas as coisas.

Contudo a pintura dos dias retrata que essa incessante busca abriu caminho para a instabilidade e a fragilidade nas relações sociais. Estamos diariamente numa corda bamba, oscilando entre o vazio e o excesso. O risco: a apatia. Não pela falta de opção, mas pelo excesso. Em um constante sentimento de falta.

Tudo esta disposto nas prateleiras perto de sua casa, nas redes virtuais, nos produtos concretos ou abstratos, na demasia das informações, imagens e sensações. Podemos ser tanto, que às vezes queremos ser o outro, mas que outro se não conseguimos conviver.

O confuso é que quanto mais essa oferta aumenta, mal conseguimos manter as emoções, opiniões ou ideias por muito tempo. Afinal de contas, na próxima esquina pode aparecer coisa melhor para ‘ser’ ou ‘estar’.

E dentre esses avanços e digressões continuo cá pensando com meus botões, que até agora não me responderam nada.

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