Tratamento Ludovico

 Posted by at 7:27 pm  Artigos, T.I.
jan 212010
 

(publicada originalmente na edição 4 – maio de 2009 – segunda quinzena)

Violência, dentro das amplas significações que possui, trata-se do agir em prol de infligir qualquer dano a outrem, ação que, por sua natureza nociva, seria inconcebível na formação da sociedade. O gérmen da estrutura de qualquer organização social que almeje prosperar equilibradamente é a educação e o respeito. Quando estes fundamentos básicos, mas não únicos, fazem-se ausentes, os limites da liberdade parecem ficar frouxos e a violência pode ser tomada como um instrumento para alcançar o que se deseja.
O mundo tornou-se o coliseu da competitividade, palavra que já pressupõe algum tipo de violência, visto que competir visa derrotar um oponente, não alcançar um objetivo em parceria. É de opinião comum entre sociólogos que a organização do sistema capitalista carrega em si diversas contradições. Ele veste-se com o chavão típico: Liberdade, Igualdade e Fraternidade, no entanto, a própria lógica interna contida nele inspira, todo momento, a tornar-se o campeão de uma eterna competição pela realização pessoal. Assim, onde há disputa pela sobrevivência individual, não há Fraternidade, sim violência.
A discriminação social é um desrespeito para com a condição de cidadão e, tenha-se como fato, isso desencadeia em violência. Que Igualdade pode haver em uma concorrência regida pela disparidade social? Aquilo que se conhece por Liberdade, hoje, está intimamente ligado ao poder de consumo, assim, quantos podem se considerar livres no Brasil? Viver a margem desse mundo ideal, pregado pelos meios de comunicação que assumiram um papel apologista da vida de consumo, certamente levará um indivíduo, que nem mesmo a boa educação teve acesso, a agir de maneira delinquente. Basta observar Rousseau.
Essa é apenas uma faceta da violência, que se apresenta em variedades. Violência física, violência psicológica, infantil, mas acima de todas está a violência política. Diz-se desta quando nos referimos ao passado e aos domínios déspotas que deixaram as massas em pânico. No entanto, é claramente injusto afirmar que essa “modalidade” iniciou-se e findou-se, perenemente, no passado. A diferença é que, no passado, a violência política vinha de “cima para baixo” e era refletida em forma de revolução. Hoje, ela ainda advém do mesmo lugar, mas encontra uma população, em sua maioria, apática, condicionada a receber e não devolver. Afinal, a violência social aparenta, na verdade, um potencial coletivo mal direcionado que se internaliza e explode contra o alvo errado. Quem sabe o tratamento Ludovico não resolva.

Willian Rodrigues da Silva

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