jan 222010
 

(publicada originalmente na edição 8 – julho de 2009 – segunda quinzena)

A cidade é um corpo vivo e, assim como os animais, possui artérias pelas quais corre o fluido que, transportando nutrientes e oxigenando as células, sustenta o funcionamento deste organismo. Se, por motivo qualquer, esse fluxo for interrompido, o corpo morre. A mobilidade urbana é o cerne (a parte central, fundamental) deste ciclo. Como transporte coletivo, ela deve ser assegurada pelo município, seja diretamente ou através de concessão, segundo o artigo 30, inciso V da Constituição Federal, uma vez que, além de ser fundamental para a continuação do processo ao qual se chama sistema, o transporte público e com qualidade é um direito como qualquer outro.

Em Ribeirão Preto, os serviços de transporte público coletivo são designados a três empresas permissionárias (que possuem permissão, mas não se tornam proprietários do bem): Transcorp, Turb e Rápido D’oeste, totalizando uma frota de aproximadamente 310 ônibus que atendem 112 linhas e mais 28 microônibus que operam o serviço “Leva e Traz”. Juntos, garantem o transporte de cerca de 170 mil pessoas por dia útil.

O preço subindo.

Em pesquisa realizada pelos principais pontos do centro cidade, ficou nítida a desaprovação dos usuários do serviço com as condições sob as quais são transportados durante a rotina diária. As queixas seguem um senso comum: a carência no cumprimento dos horários previstos; a espera de cerca 40 minutos ou até mais nos pontos de parada, dependendo da linha. A superlotação, visto que alguns veículos, como um encontrado da linha 707 Jardim Procópio, da Transcorp, nem mesmo possuem limite de lotação. É apresentada uma placa especificando número de passageiros sentados e um “branco” no local no qual supostamente deveria ser indicado o número de passageiros em pé. Quando questionado sobre o assunto, o gerente de transporte coletivo da TRANSERP, Reynaldo Lapati, afirmou desconhecer o fato e prometeu averiguar.

A tarifa da passagem é, atualmente, de R$ 2,30, preço considerado absurdo na opinião da maioria dos passageiros, se levadas em consideração as condições ditas anteriormente. Como diz o aposentado Faustinho, “O serviço prestado não vale pelo valor cobrado”. Segundo Lapati, além do aumento de 6% no salário dos funcionários, Ribeirão gaba-se por ter a frota mais nova do país, o que acarreta em mais gastos e justifica o reajuste proposto pelas empresas.

Além dos motivos citados, Lapati afirma ainda que a prefeitura não oferece subsídios para que o valor da passagem seja fixado sem necessidade de reajustes, diferentemente de cidades como São Paulo e Curitiba. “O IPK (Índice de Passageiros por Quilômetro) vem diminuindo em Ribeirão Preto, baixando a produtividade e, consequentemente, levando à necessidade de aumento da tarifa” diz o gerente.

Você concorda?

por Willian Rodrigues




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  One Response to “Transporte Público-Privado”

  1. Eu sou usuária da TRANSCORP, concordo com o que foi dito sobre eles. Mas, levando em conta que o site tem a intenção de fazer um jornalismo verdadeiro, que tal começar sendo um pouco mais imparcial? Temos que ver os dois lados da situação.

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