jan 192010
 

(Publicado originalmente na edição “6″, em junho de 2009, segunda quinzena)

Boa tarde, senhor (aguardando alguma ordem). Em que posso lhe servir? (tentando ser útil). Que tal um café? (depois de um tempo ocioso). Desligando… (alguém que o viu como inútil, em tal momento).
Este ser obedece à ordens que alguém previamente tenha programado, ou seja, provavelmente não é algo de carne e osso. Penso que os humanos não estão longe dessa realidade de submissão, pois de certa forma, seguimos regras e norteamos nossa vida (quase sempre) com base no que nos foi ensinado e no que o sistema impõe. Isso pode ser positivo, afinal, como todos sabem, sem as regras nossas relações não seriam um pouco amistosa. Mas me volto ao verdadeiro significado de “liberdade” que, aliás, é bem temporal. O Estado vê de uma forma, os filósofos e o Aurélio de outra, e cada um sabe (ou não) o momento em que vive a sua.
Será que o Monge, em sua infinita sabedoria, acredita em liberdade? Conseguiria explicá-la? Será que é possível alcançá-la? (Elinton Wiermann – ewiermann@live.com)

Meu caro Elinton, sábio é o homem que reconhece o próprio momento de liberdade. Desde pequenos nos é familiar a máxima proferida em alguma parte perdida na história, de que a liberdade de um encerra-se onde começa a de outrem. Deste modo, concluímos que a liberdade ideal é esférica, como uma bolha ao redor do indivíduo, onde este poderia fazer o que bem entendesse. O formato facilita a locomoção, basta reparar nos indivíduos transitando pelas ruas, propelindo suas bolhas de liberdade como hamsters dentro de bolas de plástico, rolando por cima dos obstáculos e das esferas alheias sem correr o risco de amassá-las.
E não é só isso, pois o formato de bola é garantia de diversão para toda a família. Ainda mais no país do futebol, onde sempre haverá alguém disposto a roubar a liberdade alheia e chutá-la para o gol. Ao indivíduo não resta nenhuma reação, salvo debater-se de um lado para o outro em sua bolha recém-transformada em histeria coletiva.

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