jan 272010
 

Segundo notícia do site da BBC, os deputados franceses publicaram um relatório sugerindo a proibição do uso de véus e trajes típicos das mulheres muçulmanas em lugares públicos.

Famosas pelos nomes de burca e niqab, essas vestimentas não são apenas estética. Na crença muçulmana ela serve para tapar as partes “awrah” (aquelas que não devem ser mostradas em público) do corpo dos fiéis. É humilhante para certas correntes do Islã não seguirem tal rito.

Independente de concordarmos ou não com os ritos de outras religiões e crenças, devemos no mínimo, respeitar as tradições alheias. Já dizia o velho ditado: “A sua liberdade acaba onde começa a minha”.

É de uma sovinice sem fim querer dar força de lei às nossas aspirações individuais (apesar disso ser prática corriqueira no mundo ocidental). É o sintoma máximo do que o escritor espanhol José Ortega y Gasset (1883-1955) definiu como “Rebelião das massas”, onde basicamente a “maioria” atropela as “minorias”, impõe seus gostos e suas visões como lei pétrea. Ironicamente – ou não – ele moldou essa teoria enquanto vivia na França.

Como também disse Ortega y Gasset em seu livro “A Rebelião das Massas”, essa maioria passou a fazer tudo que dá na telha, ignorando qualquer consequência que a minoria tenha de arcar. Colocaram suas casas para a sociedade na mesma proporção que seus países se colocaram perante o conjunto de nações: “Faço o que quiser na minha casa, os incomodados que se mudem”. A isso deram o nome de “nacionalismo”.

O problema dessa lei, caso for (por um infortúnio do destino) aprovada, é o precedente que será aberto para o massacre de qualquer valorização e respeito às minorias que restam na sociedade.

Crédito da foto usada no destaque do site: Mohamad Affan




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