Colmeia – Willian Rodrigues

 Posted by at 11:20 pm  Sem categoria
jan 202010
 

A melhor maneira de apresentar alguém que pretende se tornar jornalista é seu texto. Como ele mesmo se define em seu blog, “Errante que caminha calmamente pelas calçadas e não se preocupa com as gotículas da chuva miúda, aspirante a poeta que se debruça sobre filosofia, nunca se julgando filósofo… Ponderante do devir que obeserva minúcias e sempre se atrasa por esquecer-se dos ponteiros.”
Willian Rodrigues, o único estagiário que ganha mais dos que os chefes. Ele não ganha nada e a gente ainda paga para trabalhar!

Colmeia

Vamos, vamos! Ponde-vos de pé trabalhadores!
Não importa se não pregaram vossos olhos de preocupação
Pois o sol nasceu e com ele a manhã do dia útil
Vinde! Servi-me em vosso dia inútil
Acabareis por esquecer Vossas dores!

Acordai, acordai operárias preguiçosas!
Trabalhai para uma sociedade que não cresce
Desfrutai a não misericórdia de uma rainha gorda e corrupta
Entre chacotas jaz o que não obedece!

Rápido, mais rápido! A rainha necessita de mais mel!
Ela já se encontra em espasmos
Após sentir tantos orgasmos

Mas Sua Majestade é insaciável!
Dá perdão jamais ao empecilho
Este padecerá na fome
Condenado a algum exílio

Ela deleita-se em vosso dinheiro
Que alega ser emprestado
“Eis tua realidade, pobre, eis tua vida”
“Sempre um dos assalariados”

Em coragem desesperada, venha tu reivindicar o que é teu!
Tal valentia revela-se em dia já tarde
“Afasta de minha presença tua encardida mediocridade!”
Decorridos já cem dias, o que era teu torna-se meu!

Ilícitos governantes da contradição
Mas governados são governados
“Quem dentre vós dirá que estão errados?”

Aqueles indefesos pequeninos ainda serão os que mais sofrerão
Penadas crianças agora adormecidas
Nem mesmo passa por Vossas imaginações divertidas
O quão amaldiçoada está tal geração

Em todas as terras
Finge terminada a negra escravidão
Mas os novos escravocratas não respeitam raça alguma
Desenrolado foi o tapete vermelho
“Saúdem a Nova Escravatura!”
de brancos, negros, de qualquer pobre na injúria

Andai! Trabalhai sob o som da chibata!
Para a desgraça caminha o que não obedece
Continuai o trabalho para uma monarca
Em prol de uma humanidade que nunca cresce!

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