Árvore Genealógica

 Posted by at 10:31 pm  Crônicas, T.I.
jan 202010
 

(publicada originalmente na edição 0 em 11 de março de 2009)

A genealogia da política brasileira nos últimos 20 anos é monótona. Principalmente quando se trata de descobrir seus personagens. Quem busca várias correntes e doutrinas encontra um saco de farinha. Interprete a palavra “farinha” em qualquer contexto. Cabe.
A politicagem se espalha desde o movimento estudantil até as águas que circundam o Congresso.  Fraudes, intimidações, voto de cabresto e tantas outras práticas, dentro de um simples diretório ou centro acadêmico, em congressos estudantis ou associações de bairro. A seleção de pessoal é simples: Quanto mais alcance tem sua influência, mais poder te fornecem e mais favores te pedem. Claro que sempre em nome da construção de um ideal maior. E a velha desculpa: “Mas sabe como é né? Pra chegar lá em cima e poder fazer o correto, tem que liberar muito debaixo do pano…”
É o caráter flexível. A eterna justificativa no erro do próximo. Perfeição não existe, mas ética com a coisa pública é possível. E não só por parte dos eleitos. Todos temos a obrigação de fiscalizar. Qualquer um que reclame dos políticos sem buscar as soluções que a legislação oferece para ação, se iguala a eles.
Lula não sabe de nada. Gosta mesmo é de álcool e o resto é biodiesel. A irmã de José Serra era sócia de Verônica Dantas (irmã do Dani) em uma empresa de pesquisa com sede em Miami. Fernando Henrique teve mais de 600 (seiscentos) processos arquivados pelo independente Geraldo Brindeiro. Nomeado Procurador da República pelo próprio FHC. Antonio Palocci não gosta de sigilo de caseiro, Alckmin adora sigilo de metrô e José Dirceu dispensa qualquer apresentação.
Informações jogadas que se misturam no cimento da política brasileira, com a qualidade do Sérgio Nahas (alguém se lembra?).
Grande parte dessa história está encerrada nos discos de computadores apreendidos pela Polícia Federal com Daniel Dantas. Estavam em uma parede falsa e segundo relatos, foi o único momento de alteração de Dantas quando os viu: “Vocês não podem levar isso!”.  Comparativamente, é como uma grande Orkut que mostraria toda a teia de relacionamento de corrupção no país. Pararia a República por dois anos, dizem. Mas, graças à argumentação risível de nossa suprema juíza federal Ellen Gracie, não podemos conhecer seu conteúdo. Justificativa: “Daniel Dantas pode não ser Daniel Dantas.”
Gostaria de votar para Juiz…

P.N.O.: Qual é pior, a parcialidade criminosa das revistas, o oportunismo financeiro de jornais ou a hipocrisia sensacionalista dos canais de televisão?

Marcelo Dias




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