jan 192010
 

(publicada originalmente na edição 5 – junho de 2009 – primeira quinzena)

Gostaria de saber se eu, que tenho 19 anos, teria o prazer de presenciar a queda do capitalismo.
Sei que isso está prestes a acontecer e sei também que após a queda dele, o magnífico Ser Humano tratará de inventar um outro tipo de sistema, talvez até pior, onde poucos descansarão, viajarão, se alimentarão bem, irão se divertir à beça e a maioria maciça trabalhará, trabalhará, traba- lhará… ou morrerá de fome. Sei disso, mas seria um prazer ver o modo de organização mais pobre, inútil, anti-humano, cruel e  acima de tudo dissimulado que a humanidade já presenciou, cair por terra. Diego Lazari de Oliveira (diegolazari@hotmail.com)

A pergunta do Diego tem aspirações proféticas, e mesmo não sendo dotado de poderes extra-sensoriais que permitam ver o futuro, o Monge busca fôlego para respondê-la.
O capitalismo opressor e excludente que conhecemos hoje irá sim cair por terra, com estão fadados todos os sistemas, não só os opressores e excludentes. O momento único que vivemos no planeta, da tecnologia que aproxima pessoas e compartilha informações, nos dá a sensação de que o palco para a próxima grande mudança estrutural da sociedade já está montado. O enredo é confuso, pós-moderno, daqueles que convida a platéia a participar do espetáculo e sem um final pré-definido. Uma peça que muitos anseiam em ver.
Perigosa, no entanto, é a influência dos patrocinadores do evento. Sem maior aviso, eles podem substituir os atores, reescrever diálogos e limitar a distribuição de convites somente às autoridades e VIPs em geral. E se o povo que ficou de fora reclamar muito, eles cortam o financiamento e fecham o teatro, que aqui é uma casa de espetáculos de família, vão fazer a revolução em outro lugar.

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